quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Diz-me onde moras :-)


Recebi este texto por e-mail, indicado que é de Miguel Esteves Cardoso. Não sei é ou não, ou de quando é que é… mas que é engraçado lá isso é!!
Ahhh... e há uma terra aí no texto que conheço muito bem :-))))

Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo. Há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide. Nunca mais ninguém o viu.

Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por exemplo. Há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios, comprou um andar em Carnaxide. Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha um problema. Era em Carnaxide. Nunca mais ninguém o viu.Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia! Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam pevide. Um palácio com sessenta quartos em Carnide é sempre mais traumático do que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço. Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alfornelos, Murtosa, Angeja, Ranholas? Ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de Angola. Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz de Pau. (...) Ao ler os nomes de alguns sítios ? Penedo, Magoito, Porrais, Venda das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está preparado para entrar na CEE.

De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer integrar? Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não é nada comparado com certos nomes portugueses. Imagine-se o impacte de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio de um jantar. Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente "E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata" (Espinho). E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde mora, presentemente?", só para ouvir dizer que a senhora habita na Herdade da Chouriça (Estremoz). É terrível.

O que não será o choque psicológico da criança que acorda, logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na localidade de Vergão Fundeiro? Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome de uma versão transmontana do Garganta Funda. Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela (em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso? Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de uma Vergadelas? É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra". Ninguém é do Porto ou de Lisboa. Toda a gente é de outra terra qualquer.

Geralmente, como veremos, a nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que fazem apetecer mentir. Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do bairro). É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").

Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo como sendo originário de Filha Boa. Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima.

Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros. Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com os nomes dos restaurantes giraços, tipo Não Sei, A Mousse é Caseira, ou Vai Mais um Rissól.(...) Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e acabando a comprar rebuçados em Bombom do "Bogadouro"¹, (Amarante), depois de ter parado para fazer um chi-chi em Alçaperna (Lousã).

¹ - Bogadouro é o Mogadouro quando se está constipado!!!

(Texto de Miguel Esteves Cardoso)

7 comentários:

pinguim disse...

Já conhecia esta pérola...
Beijinhos.

Dantins disse...

Também já conhecia este texto, está fenomenal!
Fiquei contente porque apesar de estarem incluídas algumas freguesias do meu concelho, a minha não faz parte da lista. Será que que ainda posso ser uma "tia"?
Bjos

O Profeta disse...

A terra dorme em sobressalto
Um grito brota da alma
Danço com esta bruma de Inverno
Rodopia em meu peito uma estranha calma

Águas despertas, Mar bravio
Cai sobre mim um nevoeiro perverso
Uma onda estende seu manto de espuma
Açoita as pedras adiando o regresso


Boa semana


Mágico beijo

Fernanda disse...

..))Pois,...acaba logo com o encanto dizer que se mora na Picheleira ou no Samouco...)))
Não pode ser...lol
O texto é engraçado e tem um ponta de verdade,... ou não fosse Portugal o país dos Sr.Dr. e Sr. Engs....:))

Um bom resto de semana

Smile disse...

Pinguim
Achei este texto demais :-)
Beijinhos


Dantins
Está sim fenomenal ;-)
Há um local no texto que embora não pertença ao mesmo concelho é bem perto onde comprei casa à pouquíssimo tempo (um pequeno grande passo dado por mim) e claro que quando digo onde é só risada… mas também… temos com cada nome neste país!!! Rsrsrs
Acho que podemos ser umas “tias” sim, melhores que as outras ;-)
Beijocas


Profeta amigo
Um resto de boa semana pra ti
Já lá vou ao teu cantinho
Bj mágico


Fernanda
Há aqui com cada nome!! :-)))))
That’s Portugal... ;-)
Bjs Pink

Pedrasnuas disse...

Realmente dá mesmo para rir com tanta falta de imaginação!!!!
É ridículo e pimba!!!!!
Nota:não conhecia o texto

Beijos voadores

Smile disse...

Pedrinhas
E que nomes… rsrsrsrs
Beijocas voadoras